A 83ª cerimônia de premiação do OSCAR acontecerá no dia 27 de fevereiro, no próximo domingo, no Teatro Kodak, em Los Angeles, com apresentação dos atores Anne Hathaway e James Franco. Aqui será mostrada na Globo, em flashes, em meio ao abominável “Big Brother” e com a soporífera apresentação de José Wilker, geralmente acompanhado por uma figura feminina que nada entende de cinema - por que não mudam a fórmula esgotada, colocando jovens atores, descontraídos, com algum conhecimento de cinema? Por exemplo, Leandra Leal e Selton Mello ou Rodrigo Santoro e Mariana Ximenes. A outra possibilidade é a TNT, que exibe na íntegra, mas para infelicidade geral da nação os comentários novamente serão de Rubens Ewald Filho. Ficamos à mercê de absurdos. Eu grudo no controle e quando ele começa a falar tolices, mudo de canal imediatamente.
Durante a cerimônia deste ano, A Academia de Cinema de Hollywood reconhecerá Francis Ford Coppola com o prêmio Irving G. Thalberg, destinado a produtores de filmes cuja trajetória reflete qualidade. O cineasta francês Jean-Luc Godard, o ator Eli Wallach e o historiador Kevin Brownlow, receberão o OSCAR honorário, outorgado “por suas extraordinárias conquistas profissionais, suas contribuições à indústria e pelo serviço à Academia”. Entre os competidores, “O Discurso do Rei / The King’s Speech” sai na frente, com 12 indicações, incluindo as principais: Melhor filme, Diretor, Roteiro e Ator. Bem exagerado, mas é o típico filme de “prestígio”, convencional, talhado para tais premiações. Auxiliado por atuações valiosas, o que não é pouco entre tantos filmecos descartáveis, parece ter sido projetado minuciosamente para agradar os votantes. Vai disputar palmo a palmo com “A Rede Social / The Social Network”, que concorre com oito indicações, empatando com “A Origem / Inception”. Indicado de novo, depois de vencer no ano passado, Jeff Bridges seguramente não tira o prêmio de Colin Firth. De qualquer forma, seria mais honesto se o Melhor Ator do ano fosse o espanhol Javier Bardem. “Bravura Indômita / True Grit” recebeu 10 indicações; “O Vencedor / The Fighter”, sete; “127 Horas / 127 Hours”, seis, e “Cisne Negro / Black Swan” e “Toy Story 3”, cinco cada. “A Rede Social” ainda é o favorito, mesmo com os prêmios que “O Discurso do Rei” vem levando nas últimas semanas. Reconheço seus méritos, mas Fincher esteve mais inspirado em “Seven – Os Sete Pecados Capitais / Seven” ou mesmo em “Clube da Luta / Fight Club”.
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| robert de niro e sissy spacek |
Em mais de 50 anos de existência do OSCAR de Melhor Filme Estrangeiro, o Brasil chegou perto quatro vezes: “O Pagador de Promessas” (1962), “O Que é Isso Companheiro?” (1997), “O Quatrilho” (1994) e “Central do Brasil” (1998). Tirando o último, nenhum dos outros tinha estofo para ganhar, nem mesmo o clássico de Anselmo Duarte baseado na peça de Dias Gomes, que é cativante e visualmente belo, porém pesado e impessoal. Este ano, o conhecido produtor Luiz Carlos Barreto – pai de Bruno e Fábio – mexeu os pauzinhos, conseguindo que a produção do seu filho Fábio fosse selecionada para representar o Brasil na disputa. Um escândalo inominável! “Lula, o Filho do Brasil” ainda é pior que o fraquinho “O Quatrilho”, do mesmo diretor. Nem mesmo a presença de Glória Pires compensa o preço do ingresso. Não é à toa que foi um fracasso de bilheteria. De qualquer forma, estaremos mais ou menos presentes com uma pequena parcela do documentário “Lixo Extraordinário”, sobre o projeto social do artista plástico Vik Muniz com catadores de lixo do Rio de Janeiro. Uma das diretoras é britânica e os brasileiros João Jardim e Karen Harley são os co-diretores. Concorre como melhor documentário de longa-metragem e tem alguma chance.
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| olivia de havilland |
Os irmãos Coen não merecem a indicação ao prêmio de Melhor Diretor. No lugar deles, seria mais coerente Christopher Nolan (“A Origem”) ou o Danny Boyle de “127 Horas”. No quesito atuação, nada abala a certeza de que a excepcional performance de Natalie Portman leva o OSCAR. Ela é imbatível, pode ter certeza. Gosto também de sonhar com a vitória do bonitão James Franco. Ele surpreende como Aron Ralston em “127 Horas”. Por fim, não enxergo nada de especial em “Inverno da Alma / Winter’s Bone”. O “problema” é que a Academia tem mudado nos últimos anos, privilegiando mais os filmes de arte do que os comerciais e menos ainda os blockbusters. Aí mora o perigo. Lembra do destaque dado ano passado ao insuportável “Preciosa / Precious”? Mas conferimos à cerimônia ciente de suas barbaridades e do seu jogo político. Sempre vale a pena assistir esta premiação emblemática, torcer por nossos favoritos e celebrar este prazeroso ritual. É assim que o jogo funciona... e foi dada a largada. Quem acha que leva, caro leitor?
MEUS FAVORITOS
Filme: “A Origem”
Direção: David Fincher (“A Rede Social”)
Roteiro Adaptado: Aaron Sorkin (“A Rede Social”)
Roteiro Original: Christopher Nolan (“A Origem”)
Atriz: Natalie Portman (“Cisne Negro”)
Ator: Javier Bardem (“Biutiful”)
Atriz Coadjuvante: Helena Bonham Carter (“O Discurso do Rei”)
Ator Coadjuvante: Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”)
Fotografia: Roger Deakins (“Bravura Indômita”)
Filme Estrangeiro: “Biutiful”
Animação: “Toy Story 3”
POUCAS e BOAS
Direção: David Fincher (“A Rede Social”)
Roteiro Adaptado: Aaron Sorkin (“A Rede Social”)
Roteiro Original: Christopher Nolan (“A Origem”)
Atriz: Natalie Portman (“Cisne Negro”)
Ator: Javier Bardem (“Biutiful”)
Atriz Coadjuvante: Helena Bonham Carter (“O Discurso do Rei”)
Ator Coadjuvante: Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”)
Fotografia: Roger Deakins (“Bravura Indômita”)
Filme Estrangeiro: “Biutiful”
Animação: “Toy Story 3”
POUCAS e BOAS
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| frank borzage e janet gaynor |
Bacana ver o talento de Natalie Portman, Nicole Kidman, James Franco, Annette Bening, Javier Bardem, Helena Bonham Carter e Geoffrey Rush na disputa.
Como a italiana Giovanna Mezzogiorno não está entre as cinco finalistas? E o seu valioso “Vincere” na categoria Melhor Filme Estrangeiro?
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| jennifer jones |
Mais do que merecida a derrota de “Lula, o Filho do Brasil”, um vergonhoso projeto de filme. “A Suprema Felicidade”, de Jabor, nos representaria com mais dignidade.
Viva! Deixaram de lado Halle Berry por “Frankie e Alice”, o drama sobre uma mulher com personalidade múltipla. A toda gostosona Halle é uma atriz mediana infelizmente bastante reverenciada.
Por que o ótimo Paul Giamatti ficou de fora com “Minha Versão Para o Amor / Barney’s Version”?
O certinho “O Discurso do Rei” recebeu indicações demais, não? Inclusive, Colin Firth não é lá essas coisas. Bem chatinho, lembra Ray Milland.
“Reencontrando a Felicidade / Rabbit Hole” merecia maior consideração. Aaron Eckhart, por exemplo, poderia ter ficado entre os cinco atores protagonistas.
A Hailee Steinfeld tem uma atuação histérica em “Bravura Indômita” e Jeff Bridges está bem canastrão neste western. Sabe se lá porque foram lembrados. O filme também é sem graça (como o original, de Henry Hathaway). Os geniais Coen já fizeram fitas melhores.
Realmente, a cenografia e o vestuário de “Alice no País das Maravilhas / Alice in Wonderland” são deslumbrantes, mas o filme é tão ruim que nem deveria disputar qualquer prêmio.
Acertaram ao deixarem de fora a insossa Anne Hathaway (“O Amor e Outras Drogas / Love and Other Drugs”).
No mínimo, “A Ilha do Medo / Shutter Island” deveria concorrer com Melhor Ator (DeCaprio), Direção, Roteiro, Fotografia e Montagem. DeCaprio continua injustiçado.
Andrew Garfield tem uma interpretação melhor que Renner ou Ruffalo, não entendo como foi descartado.
Nas categorias de atuação, fiquei decepcionado com a esnobada recebida por Mila Kunis. Ela é o contraponto à personagem de Portman. Uma pena, de fato. Todo o elenco de “Cisne Negro” merece louvação: Vincent Cassel, Barbara Hershey e Winona Ryder.
Sei que Annette Bening é uma excelente atriz, porém, não vejo nada de extraordinário em sua atuação em “Minhas Mães e Meu Pai / The Kids Are all Right”. A Julianne Moore está melhor.
“O Escritor Fantasma / The Ghost Writer” não é nada de especial. Não sofri por vê-lo de fora. Mas o roteiro e a trilha de Desplat são vigorosos e não estão entre os cinco.
E a Carey Mulligan de “Não Me Abandone Jamais / Never Let Me Go”? Cadê?
Michael Douglas deve ter ficado com cara de tacho. Nem mesmo sua divulgada doença ajudou para que sua atuação em “Wall Street 2” fosse recordada pela Academia. Como nunca apreciei o clã Douglas, não me afetou.
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| jane wyman |
“O Vencedor” merece somente as indicações (e nenhum Oscar) de Melissa Leo, Christian Bale e Amy Adams. Nada mais. Geoffrey Rush tá bem melhor que Bale, assim como Bonham Carter tá acima de Leo e Adams.
O trio que concorre a Melhor Animação é tudo de bom.
Gostei de ver “Biutiful” e “Fora da Lei / Hors-la-Loi” entre os melhores filmes estrangeiros. O drama de González-Iñárritu é poderoso.
Como esqueceram o excelente veterano Robert Duvall em “Get Low”?
















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